Shimano // Quais poderiam ser os próximos lançamentos?

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Quais poderiam ser os próximos lançamentos da Shimano? É isso que estive pensando após os últimos, que foram o XT M8100 e o SLX M7100. Se você ainda não viu os grupos, veja clicando os links abaixo:

Shimano lança novo XT M8100 12v

Shimano lança novo SLX M7100 agora com 12 velocidades

A evolução não desacelera, não importa o que aconteça, ela continuará. Décadas atrás babávamos nos grupos de 7 ou 8 velocidades e hoje temos relações de marchas de 13v que resumiu com perfeição uma relação completa 22v (36×26/11-42). Sim, o grupo da Rotor fez isso.

Mas como a bola da vez ainda são os grupos de 12v que já estão conseguindo suprir quase tudo que precisamos para pedalar em matéria de marchas, é a partir deles que estive conectando os pontos. Detalhe: segundo a Shimano, 1/3 dos ciclistas ainda querem câmbio dianteiro e pedivelas duplos. Então, a banda segue tocando.

// Só algumas palavras sobre a SRAM

Bom, a marca americana já abandou o câmbio dianteiro há tempos. E continua apostando muito nisso. O ultimo lançamento dela, o Eagle NX, barateou muito os componentes. Foi um alívio absoluto quanto vi que o cassete 11-50 NX ficou mais barato que o Sunrace. Finalmente o pessoal pode optar por algo BOM e ainda economizar umas moedinhas.

Os componentes Eagle SX, que são apenas câmbio traseiro, trocador e pedivela, são ainda mais baratos que o NX. O cassete e a corrente devem ser pegos do NX pois não existem no SX. E este kit mega-econômico atualmente está disponível apenas para montadoras. Ainda vai alguns meses para serem vendidos nos balcões das lojas.

Para este momento, acredito que trarão o Eagle eTap para um nível abaixo. Talvez um GX Eagle eTap? É o que faz sentido.

// A microSHIFT e o efeito cascata inverso

Todos sabemos que lançamentos são sempre lá no topo da hierarquia dos grupos. Depois, com o tempo e com parte dos investimentos no desenvolvimento serem amortizados, é hora de migrar as tecnologias para os grupos inferiores.

Bom, quase sempre é assim. A taiwanesa microSHIFT resolveu ir “contra a maré”, ou então criar o efeito cascata inverso. E a estratégia deles faz sentido. Enquanto as outras marcas lançam as novidades no topo e sempre caríssimos, a microSHIFT lançou um grupo de 9v que trabalha 1x e 2x com um cassete 11-42: o microSHIFT Advent. E a estratégia poderá ser subir, e não descer como as outras.

O interessante é que o Advent deixou de ser compatível com Shimano, pois ele tem cable pull e derailleur ratio próprios. Ou seja, não é compatível com nenhum outro componente da Shimano como os outros ainda são. E isso foi ótimo, a resposta do câmbio melhorou imensamente. Veja também:

Teste BikeUp! // microSHIFT Advent 1×9 com cassete 11-42

O que se tem no Advent é uma relação de 22v suprida em 18v. Em uma relação 22v temos marchas praticamente repetidas, então eliminando-as, temos uma relação 18v mais enxuta e com todo o range de um 2×11. A vantagem é a manutenção, que é valor de 9v, além do câmbio ser moderno e ter estabilização de corrente.

Acredito que os próximos grupos que serão superiores ao Advent, receberiam uma marcha a mais a cada lançamento, ficando assim:

  • Advent: 1×9 ou 2×9 com cassete 11-42
  • (grupo novo): 10v (Talvez um 11-48? Dê seu palpite!)
  • XCD: hoje 11v com cassete 11-46 (receberia uma atualização para 11-50?)
  • (novo grupo): 12v com um range de cassete para competir com Shimano e SRAM, talvez 11-52?

Essa seria o efeito cascata inverso da microSHIFT. Vem de baixo pra cima, e não como as outras. A microSHIFT vem fazendo um trabalho incrível, mostrando que aos poucos tem conquistado fãs e fatias do mercado. Marcas como Cannondale, Specialized, Felt, Rock Mountain, entre outras, já acreditam e lançaram/lançaram novos modelos de bikes com microSHIFT.

// Mas e sobre a Shimano? Fala!

Ok.. Vamos lá! 🙂

Peguemos como base o XTR M9100 12v. Tirando algumas características como materiais nobres e requintados como o titânio, basta fabricar tal componente em alumínio e já se baixa o custo de produção. O resto não muda, a engenharia de ângulos, cable pull, derailleur ratio e etc já foram desenvolvidos e estão funcionando por aí.

Todo este desenvolvimento do XTR desceu para o XT M8100 e o SLX M7100. São idênticos no funcionamento, apenas materiais e acabamentos mudam. Informações da Shimano Brasil (Blue Cycle) dizem que o M8000 morrerá, mas o SLX ainda não. Interessante.

Abaixo do SLX está o Deore M6000 2×10, como um patinho feio e sem graça. Peguemos ele como ponto inicial.

Imagino o seguinte:

  • O Deore 2×10 atual, o M6000, se tornará Deore M6100 2x11v, recebendo toda a estrutura do SLX M7000 11v. Manterá uma relação mais confortável com pedivela 36×26 ou 34×24 com cassete 11-40 ou 11-42. Acredito que matarão a opção 1×11 com cassete 11-46 do SLX M7000 nesta atualização.
  • Opções de 9v existem duas: Alivio e Acera. Ok, mas.. duas??? Então… O Deore atual M6000 se transformará em Alivio M4100, ou talvez como M5000. Passará a ser 2×10 ou mesmo 1×10 com cassete 11-42. O sistema Shadow+ (Plus) de estabilização de corrente passará a estar presente neste grupo de 9 velocidades.
  • Acera continuará sendo o que é, 9 velocidades, e aguardará a próxima atualização para receber o Shadow+ ou então um alcance aprimorado para trabalhar com cassete 11-40 ou 11-42.
  • Abaixo disso, a porcariada segue sem modificações por enquanto. 😛

// Conclusão

Como comentado, a evolução não vai desacelerar, e nem pode ou deve. Nossas pedaladas evoluem como os componentes e cedo ou tarde nos rendemos e percebemos que uma melhorada em nossas bikes nos deixarão felizes, além daquela recarregada nos ânimos para encarar aquela subida matadora ou o pelotão dos desesperados.

Para a esmagadora maioria, bike é uma diversão, uma válvula de escape, uma forma de lazer entre amigos e manter a saúde em dia.

Infelizmente é um esporte caro, muito caro!
Mas, felizmente, ainda existe o efeito cascata e podemos contar com ele!

Obrigado por acompanharem o BikeUP! 😉

Fabio S.