Teste BikeUP! // Coroa oval Narrow Wide Nottable

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Há um tempo eu já queria experimentar coroa oval, estava bastante curioso por descobrir o que elas teriam para oferecer. Então, como eu teria que testar o kit microSHIFT 11v com cassete 11-42, resolvi testar o kit juntamente com uma coroa oval da Nottable Metal Works.

A Nottable Metal Works é uma pequena fábrica localizada na zona norte de São Paulo. É chefiada pelo Sr. Nelson Motta, juntamente com seu fiél escudeiro Eric Fernandes. Nas duas vezes que fui lá, fui muito bem atendido pelos dois, mas foi em momentos em que a pequena fábrica estava a todo vapor com suas máquinas CNC cuspindo coroas para todos os lados.

Eu gostaria de ter feito algumas imagens da linha de produção e ter conversado mais com o Nelson, mas quem sabe, se ele topar, podemos marcar um dia para eu retornar lá e fazer uma entrevista. Ele não está no mercado de componentes de bicicletas por acaso. Pelo contrário, vem de longa data e também já foi piloto de BMX. Com certeza merece uma matéria exclusiva falando sobre ele sua fábrica.

A coroa oval Nottable

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A Nottable também oferece Super Cogs com 40 e 42 dentes, além das coroas Narrow Wide (redondas) com 30, 32, 34 e 36 dentes. São compatíveis com 10 e 11 velocidades e disponíveis em quatro cores: preta, vermelha, azul e dourada.

No momento que escrevo esta matéria, as coroas ovais são oferecidas apenas na cor preta, e nos tamanhos 32, 34 e 36 dentes.

Ok, mas qual que é destas coroas ovais?

A teoria é bem simples: você tem duas coroas de medidas diferentes em uma única.
Heimmm??? Eu explico…

Imagine uma coroa de 32 dentes em cima de uma outra de 34 dentes. Agora você, em sua mente, tente fundi-las em uma única peça. Seria algo assim:

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Nesta imagem, temos uma coroa normal (redonda) Nottable em cima de outra coroa Nottable de 34 dentes, só que oval.

Agora repare na parte superior e inferior das coroas. Perceba que a oval (de baixo) com 34 dentes é maior que a redonda de 32 dentes (superior).
Já nas laterais, tanto a oval de 34 dentes quanto a redonda de 32 dentes possuem o mesmo raio.

Ué, mas a oval não é de 34 dentes? Sim, é.
A teoria diz assim: na coroa oval, pegando como exemplo uma de 34 dentes, teremos dois pontos opostos cujo raio será de coroas redondas de 34 dentes. Mas nos outros dois pontos perpenticulares, teremos raios menores como se fosse uma coroa de 32 dentes! Legal, né?

Então, quando a pedalada está na posição de empurrar o pedal para baixo, a coroa funciona como uma de 34 dentes, e quando estamos entre uma pedalada e outra, ou nos pontos mortos da pedalada, é como se estivéssemos usando uma coroa com 32 dentes.

Veja a imagem abaixo..

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Entenderam? 🙂

Minha opinião sobre as coroas ovais

Eu já sabia que seria interessante, mas a sensação foi totalmente imprevisível.
Na primeira saída com a bike eu já senti uma “folga” em cada ciclo de pedalada. De imediato eu não gostei, mas segui em frente. Enquanto pedalada eu tentava procurar no fundo da minha mente de onde é que eu já tinha sentido aquela sensação estranha de pedalar com um “buraco” entre cada pedalada. E essa busca continuou pelas horas seguintes do primeiro pedal com a coroa oval.

Testes em laboratório dizem que é possível ter um ganho de até 12% na perfomance da pedalada. Mas estes testes sempre são válidos para os pilotos e ciclistas de elite. Nós, meros “mortais”, não temos o feeling tão apurado a ponto de sentirmos melhora na perfomance. E com certeza, muito que dizem sentir, acredito que sentiram mais do que um simples efeito placebo.

Utilizei a coroa em várias situações, subidas em marchas leves e cadência alta, ataques em pequenas subidas pedalando rapidamente em pé em marchas mais pesadas, puxando fila em estrada plana e até disparando um sprint em asfalto para finalizar uma batalha de chegada com alguns amigos.

Sentimentos…

Senti que a pedalada foi mais fácil com a oval? Não.
Senti algum aumento de perfomance com a oval? Praticamente nada.
Senti que eu cansei menos usando a oval? Não também.
Senti que valeria a pena manter a oval? Voltarei a montá-la na bike, mas no momento não.

Aquela sensação de “buraco” nas pedaladas continuava a me incomodar e então eu encontrei a referência que eu tinha: pedalar com coroa oval dava a mesma sensação de pedalar uma Caloi 10 com aqueles pedivelas com chavetas quando soltavam! Quem se lembra desses pedivelas?

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Quando a chaveta soltava, o pedivela criava uma folga medonha no eixo do movimento central, e a pedalada ficava “quadrada”, era horrível! E a sensação com a oval era igual.

Depois que retirei a oval e voltei para a coroa redonda, na primeira pedalada eu ainda sentia as “soluçadas” da coroa oval. Culpa da memória muscular? Talvez.. Ou é a bruxaria da chaveta ainda agindo sobre minha mente e corpo.

Conclusão final

Eu, particularmente não senti melhoras significativas quando utilizei coroa oval. Entre oval e redonda, ainda prefiro a redonda, a tradicional. Pode ser que para contra-relogistas, onde é utilizado coroas de até 56 dentes e se pedala fazendo força 100% do tempo e em uma cadência mais baixa, realmente faça uma diferença e dê 0,5 segundo de vantagem a cada 10Km. Atletas profissionais e de alto desempenho podem tirar proveito da teoria das coroas ovais, mas nós simples mortais, acredito que não.

Assim como roldanas de câmbio em alumínio, quando perguntam à mim se são melhores, eu respondo: câmbios Shimano XTR ou SRAM XO, usam roldanas de alumínio? Não? Então…

A mesma resposta eu aplico aqui. Se fosse algo realmente importante e que desse ganhos reais de perfomance para uma boa parcela dos pilotos e ciclistas, haveriam opções de pedivelas com coroas tradicionais ou ovais. Mas, na real, que tipo de coroas estão instaladas nos pedivelas XTR, Dura-Ace, Red ou XX1? Então…

Massssssssssss, também sempre digo assim: não durma com a dúvida. Nunca!
Pode ser que para você as coroas ovais sejam a melhor coisa do mundo, a melhor escolha, e te dê 0,5 segundo de vantagem sobre seus concorrentes a cada 10Km do percurso.

Experimente, sinta, teste. Valerá a pena como conhecimento de novos produtos.

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Fabio S.

Fabio Santos
Graduado em Comunicação Social & Marketing, mecânico de bicicletas, curioso, perfeccionista e muito chato. Desenvolvedor de produtos para o mercado de bicicletas, amante das bicicletas e toda a mecânica e tecnologia que envolve essas maravilhosas máquinas. Fundador da Revista BikeUP e do Gravel.one.