TESTE BikeUP! // microSHIFT XCD 2×10 – Vale a pena?

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Meses atrás, ganhei um kit de transmissão microSHIFT XCD 2×10 e a tarefa era testar sem dó e publicar aqui um texto falando das minhas impressões sobre o sistema. Aqui está o resultado…

O kit microSHIFT (lê-se “maicrochift”) XCD 2×10 que ganhei da Wip Importações, representante exclusiva da marca no Brasil, foi o primeiro kit que foi disponibilizado aqui em terras tupiniquins. Ele seria oferecido ao mercado apenas alguns dias depois, pois o container com os kits tinha acabo de chegar e a empresa ainda estava se organizando com o material. O meu kit veio de amostra para a empresa.

Lembro do diretor comercial da empresa me falar assim: “Leve este kit e faça seus testes. Você pode fazer a montagem que quiser, e testar como quiser. Tenho certeza que você vai gostar do produto. Eu não me preocupo com a sua opinião final, pois sei que será positiva.”

Gosto de pessoas assim, que acreditam em seus produtos e os colocam para serem “moídos” com a certeza que agradarão. Logicamente, se o importador não acreditar em seus produtos, quem acreditará?

Antes de receber esse kit microSHIFT XCD 2×10, já revisei bicicletas onde os pilotos utilizavam a marca em suas bikes. E comentaram comigo que gostam muito do sistema da microSHIFT. Um desses amigos-clientes tem uma bike 26″, e está montando uma 29″ nova, e já definiu a microSHIFT como componentes de transmissão na nova máquina. Nem pensou duas vezes em continuar com a marca.

Já um outro amigo, tinha um kit microSHIFT, trocou câmbio dianteiro, trocou câmbio traseiro, e os trocadores de marchas estavam lá na bike. Acabou por trocá-los depois de anos de uso sem nenhum problema. E por último, um terceiro amigo-cliente, vendeu seu câmbio microSHIFT para um conhecido, e depois o comprou de volta porque se arrependeu.

Confesso à todos que sou um cara curioso, minha bicicleta é alterada toda semana, pois fico experimentando peças e componentes. Gosto de fazer isso para descobrir opções interessantes para aplicar nas montagens que executo quando recebo encomendas de bikes. Experimento vários tipos de guidões e de selins, para ter uma opinião própria sobre cada um.

Então depois tenho referências na hora de indicar um produto para um caso específico. E afirmo o seguinte: nem sempre o mais caro é melhor! Não mesmo!

Mas vamos lá… Vamos falar sobre o microSHIFT XCD 2×10.

O BikeBlog foi escolhido para testar esse novo modelo que está disponível no mercado brasileiro. O modelo 3×10 já é conhecido e agrada muito, tanto pelo custo quanto pela funcionalidade. E eu fiquei muito feliz por ter sido escolhido para o teste. E isso é pelo fato dos meus textos serem imparciais. Se eu gosto, digo que é bom e indico, se não gosto, digo quais são os problemas e deixo para o cliente decidir se vale a pena.

Foram 670km pedalados com o kit, coloquei ele na fogueira em várias subidas das trilhas da região entre Jacareí, Santa Branca e Guararema (SP). Também utilizei em duas subidas na temida Subida da Casinha, em São Francosco Xavier (SP).

Informações sobre o kit…

O câmbio traseiro

O microSHIFT XCD 2×10 é muito leve. O câmbio transeiro RD-M78L pesa 204 gramas e, segundo o importador oficial no Brasil, a funcionalidade e a tecnologia de fabricação do kit é comparável ao Shimano XT e ao SRAM X9. Para se ter a máxima eficiência nas trocas de marchas, o câmbio microSHIFT foi desenhado e desenvolvido para lançar a corrente até o maior cog do cassete contendo 36 dentes.

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Outro modelo de câmbio traseiro, denominado Mega, tem a capacidade de lançar a corrente em cogs de 40 dentes. Na minha opinião, prefiro um componentes específico que funcione 100% do que um que serve para várias montagens e que funcione 90%.

A mola tensionadora de corrente, a que força o cage do câmbio para trás, é muito forte e faz muito bem o trabalho de manter a corrente tensionada. Mesmo assim não tira a leveza das trocas de marchas. Quando montei o kit na minha bike, utilizei um protetor de quadro de neoprene, destes que não deixam a corrente bater e marcar o quadro. Depois de usar por alguns dias e algumas pedaladas, percebi que o protetor de quadro estava com pouquíssimas marcas de corrente.

Buscando um teste mais apurado

Como sou curioso demais, resolvi tirar o protetor de quadro e coloquei apenas um pedaço de fita isolante no chainstay da bike. Assim, quando a corrente batesse no quadro, faria uma marquinha na fita isolante, mas não quebraria a pintura.

O resultado foi previsível. Pouquíssimas marcas de batida de corrente na fita, e durante as trilhas, apenas quando a bike recebeu um tranco muito forte é que eu ouvia e sentia a corrente bater no quadro.

Ponto positivo para a mola tensionadora do cage, e notem que esse modelo de câmbio não possui nenhum sistema de “embreagem” como Shimano Shadow+ ou SRAM Type2.

Segundo informações que recebi da Wip Importações, a fábrica já os avisou que estão desenvolvendo um sistema próprio de estabilização de corrente. Ou seja: vai melhorar ainda mais!

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Como recebi “carta branca” para o teste, eu realmente devia usar o sistema e força-lo para descobrir até onde ele funcionaria bem. Um teste que fiz várias e várias vezes foi forçar a troca de marcha em uma subida forte, para verificar o comportamento dele com a corrente bastante tensionada. Então, nas subidas mais pesadas, utilizando 24×32 ou 22×32, sem aliviar a pedalada na subida, eu simplesmente acionava a alavanca do trocador para subir marcha, para mudar para o cog 36 dentes.

O único ruído que eu ouvia, era o da corrente engatando nos dentes do cog 36 dentes, e depois a corrente completando a volta e engatando por completo no cog 36. Simples assim: sem estouros ou estálos. Nada daquele festival de PLÁ-PUM-TÁ-PRÁCT.. 😛
Mais um ponto positivo o sistema microSHIFT.

O câmbio dianteiro

O câmbio dianteiro que recebi é o modelo FD-M852B, com abraçadeiras de metal para seat tube medindo entre 31.8 e 34.9mm. O peso do câmbio dianteiro é 161 gramas. Há também um modelo DirectMount, chamado FD-M853D, que pesa 157 gramas.

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Como todo câmbio dianteiro desenvolvido para coroa dupla, as dobras e vincos do cage do câmbio são otimizados para trabalhem com 100% de eficiência em coroas duplas. A maior entre 36 e 39 dentes, e a menor 22 ou 24 dentes. Muitos pilotos migram de sistemas 3×10 para 2×10, mas mantêm o câmbio dianteiro triplo na bike. O motivo é sempre para economizar alguns “dindins”, mas as falhas que acontecem em usar cambio triplo em coroa dupla rapidamente mostram que não valeu a pena economizar. Nada como um sistema funcionando perfeitamente e nos passando confiança, certo?

microshift-xcd-2x10Um detalhe que me agradou muito, foi o fato do câmbio dianteiro do sistema microSHIFT XCD não dar aquela pancada quando descemos a corrente para a coroa menor. Os câmbios Shimano e SRAM que eu utilizei davam um soco quando desciam marcha. Um estouro mesmo! Já esse da microSHIFT, essa pancada é muuuuuuito menor. A troca é suave e sem pancadaria! Muito bacana, e mais um ponto positivo para o sistema microSHIFT.

Os trocadores de marchas

Já os trocadores de marchas, modelo SL-M860-2 (para 2×10), ambos com rolamentos para movimentar as alavancas de trocas, pesam 207 gramas o par. Além de leves são muito bonitos e bem acabados, com detalhes que imitam metal cromado.

As abraçadeiras de fixação no guidão são de parafusos únicos, então é necessário remover manoplas e manetes de freios, caso precise tirar os trocadores do guidão por algum motivo. Mas o procedimento é simples e rápido.

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Os modelos das alavancas seguem o padrão de subir empurrando com o polegar e descer puxando pelo dedo indicador. E os trocadores microSHIFT não possuem funções como a tecnologia Shimano 2Way, a qual você tem opção de descer marchas puxando a alavanca superior com o indicador ou apertando com o polegar. Esse é um detalhe complicado, pois há questões de patentes. Mas, também fui informado que estão estudando e desenvolvendo uma solução para oferecer funções estilo 2Way em breve. Esperemos!

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Um detalhe que me incomodou no início, foi o comprimento da alavanca para descer marchas. Durante os primeiros dias pedalando, achei que são um pouco curtas. A alavaca que acionamos para subir as marchas possui um tamanho perfeito, mas a de descer marchas é bem menor, e fica um pouco longe do dedo indicador na hora de clicar para descer marchas.

MASSSSSS…

Depois de alguns dias, percebi que é um detalhe benéfico. Dificilmente batemos o dedo sem querer e descemos marcha na hora errada. E também nos acostumamos rapidamente com essa característica da alavanca, e tudo funciona perfeitamente como deve ser.

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Os outros componentes

A microShift também fabrica cassetes, e o modelo que recebi conta com 10v sendo 11-36, modelo CS-H100, com a relação 11-13-15-17-19-21-24-28-32-36. O peso desse modelo é 446 gramas, um pouco mais pesado que dos concorrentes.

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Acima: cassete microSHIFT CS-H100

Montar e ajustar o kit microSHIFT XCD 2×10 foi algo muito fácil. Fora o tempo de instalação dos componentes e preparação do cabeamento, a regulagem dos câmbio precisou de alguns segundos apenas. Praticamente foi necessário apenas ajustar os parafusos limitadores de curso e prender os cabos de aço nos câmbios. Depois, um primeiro teste de trocas, meia voltinha no botão de ajuste fino e… PUFT! Tudo estava ajustado e pronto para funciona! 😀

Detalhe: A microSHIFT não fabrica correntes. A que utilizei nos testes desse kit foi uma corrente Yaban 10v.

Minha opinião?

Eu minh aoficina eu monto bicicletas personalizas por encomenda. O fato de eu ser curioso e experimentar diversas montagem resulta em mais opções para oferecer aos meus amigos-clientes. Eu não pego o kit que tenho em mãos ou o que me dará mais lucro. Prefiro trabalhar de outra forma, uma forma mais exclusiva, pensando que cada bike é diferente porque cada cliente é diferente.

Já montei bikes com microSHIFT e a resposta é a mesma: satisfeitos com minha indicação.
Minhas impressões sempre batem com quem experimentam os produtos microSHIFT:

  • Trocas precisas de marchas
  • As alavancas dos trocadores são leves para se empurrar ou puxar
  • O sistema é mais suave e silencioso nas trocas de marchas

Além de tudo, o kit microSHIFT tem um custo menor na compra. Isso é algo que deve ser levado em consideração. Principalmente nos temos de hoje, com o dólar batendo na Lua e voltando.

No dia que fui buscar o meu kit para realizar este teste, perguntei sobre a incidência de problemas ou quebras. O diretor da empresa me respondeu: nunca tive que trocar um componente microSHIFT na garantia, seja pode defeito ou quebra.

* Adicionado em 05/08/2015
Um detalhe sobre o funcionamento do sistema microSHIFT: durante o tempo que utilizei, lembro ter precisado reajustar o câmbio uma única vez. Enquanto pedalava, apenas dei meio-giro no botão de ajuste fino no trocador de marchas do câmbio traseiro. Só isso, e tudo ficou perfeito novamente.
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A pergunta inicial era: o kit microSHIFT vale a pena?
Respondendo: Sim, vale a pena. Vale muito a pena. Seja mais curioso e experimente opções além das já conhecidas. Você sempre acabará surpreso como há opções boas que deixamos passar por falta de curiosidade. E ainda economizando alguns dindins! 😉

Abraços à todos, e até a próxima!

Fabio S.

Fabio Santos
Graduado em Comunicação Social & Marketing, mecânico de bicicletas, curioso, perfeccionista e muito chato. Desenvolvedor de produtos para o mercado de bicicletas, amante das bicicletas e toda a mecânica e tecnologia que envolve essas maravilhosas máquinas. Fundador da Revista BikeUP e do Gravel.one.