Teste BikeUP! // Freios hidráulicos Heiland HB-870

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Durante 516Km de pedaladas, usei e abusei dos freios Heiland HB-870. Aqui está meu relato sobre o teste e os resultados.

Durante o período de teste, pedalei exatamente 516km com estes freios, utilizando os rotores Shimano XT de 160mm que estão na minha bicicleta desde quando a montei. Antes de sair com a bike com os novos freios instalados, os rotores foram desinstalados e lavados com multi-desengraxante, detergente neutro e depois com álcool isopropílico.

Sempre tento remover o máximo possível do resíduo das pastilhas que ficam atritando nos rotores antes de qualquer alteração. Eu queria testar esses freios sem que resíduos de material de nenhuma outro tipo de pastilha estivessem nos rotores.

Os manetes

De imediato é possível perceber o quanto o freio é parecido com os Shimano M445/M446 da linha Alívio, ou então com os Shimano M395, que possuem a mesma construção do corpo do freio, porém com uma maçaneta maior para aumentar o conforto, já que é uma linha destinada à passeio/lazer.

Assim também como Shimano, os freios Heiland utilizam óleo mineral, e há uma janelinha tampada com um parafuso para que você conecte uma seringa e execute a sangria do freio sem precisar abrir a tampa principal do reservatório. Isso resulta em um trabalho rápido e limpo quando a manutenção é necessária.

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Ainda comparando com os freios M445/M446 da Shimano, o Heiland Hb-870 leva vantagem na hora da instalação no guidão da bicicleta. O Heiland possui uma braçadeira removível que é fixada com dois parafusos. Então, não é necessário retirar a manopla e outros acessórios como bar-ends caso você precise remover o manete de freio do guidão por algum motivo.

Você precisa apenas “encostar” os dois parafusos de 4mm para que o manete fique bem firme ao guidão. Não é necessário forçar, basta encostar mesmo. Não há indicações de torque máximo para os parafusos, mas apertei com 4Nm ambos parafusos, e só.

Acabamento

Na conexão da mangueira hidráulica com o manete, há um acabamento em borracha, que fica bem firme no lugar. Removi esse protetor apenas para verificar se também é uma peça sextavada que faz o papel de trava da mangueira, e a borrachinha precisou de uma forcinha para ser removida. Isso é bom, pois parece que demorará muito tempo para que fique frouxa e fique saindo do lugar.

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Ajuste de altura

Há um pequeno parafuso (imagem acima) o qual possibilita ajustar a altura do manete de freio. Basta utilizar uma chave allen, girar e deixar o manete de freio na altura que desejar.
Eu não precisei fazer essa regulagem. Do jeito que os freios vieram, eu utilizei. Já estavam com um ajuste bom para meus dedos.

O curso do freio é curto, não é necessário deixar tão alto porque pressionando-o um pouquinho, ele já faz as pastilhas encostarem no rotor.

Quem gosta de deixar o manete um pouco mais alto ou bem baixo, gostará bastante desse detalhe. Tanto com os manetes altos ou baixos, o curso necessário para os freios trabalharem será pequenos, e isso é legal para você controlar a potência de frenagem sem ter que esticar muito os dedos para buscar o manete.

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Ergonomia

O único detalhe que me incomodou um pouquinho, foi o desenho dos manetes. Eles são um pouquinho mais quadrados e largos que os Shimano M445/446, por exemplo.

Foram desenhados para trabalharem com dois dedos, e também podem ser acionados apenas com um, mas o formato do manete na parte onde apoiamos os dedos para acioná-lo, é um pouquinho desconfortável. Não houve dor ou algo parecido, é apenas um detalhe que percebi, pois estou fazendo uma análise completa do produto.

Na verdade, pedalando não se percebe isso. Apenas percebi isso com a bike parada, analisando os detalhes e apertando os freios com 1 e 2 dedos.
Mas, basta utilizar um par de luvas e esse problema desaparece.

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De um modo geral, o manete hidráulico do freio Heiland HB-870 executa muito bem o seu trabalho, mesmo em um susto ou uma situação mais perigosa você poderá acessá-lo e acioná-lo rapidamente.

As pinças hidráulicas

Acredito que este componente do freio Heiland HB-870 leva uma considerável vantagem sobre os concorrentes diretos.
Nos freios de mesmo nível, como o Shimano M445/M446, a pinça é constituída de duas partes. O processo de fabricação da pinça Shimano feita em dois blocos separados, e depois de usinados estes blocos que agora são as metades da pinça, recebem os pistões e depois são unidos e fixados com parafusos.
Já a pinça do freio Heiland HB-870, a usinagem esculpe um bloco único de metal o qual se transformará na pinça. Não há duas partes que serão unidas com parafusos e com orings nas vedações. Tudo é fabricado a partir de um bloco único.

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O único parafuso que existe é da janela de sangria.
O que se destaca na pinça é a tampinha anodizada em vermelho, que lacra o housing dos pistões. Ela dá um toque especial no visual todo preto do acabamento do metal.

O padrão de fixação da pinça é Post Mount, e a pastilha é fixada por uma cupilha.
Atenção especial ao detalhe de acabamento na conexão da mangueira hidráulica à pinça: também há uma borrachinha cobrindo a trava sextavada de conexão. Nos freios concorrentes, não há esse detalhe.

freio-heiland-hb-870Eu acho bastante válido, pois além de deixar o produto mais bonito, protege a trava sextavada de água e barro, que pode ser de aço, pode vir a começar oxidar e ficar feio.

Os pistões hidráulicos trabalham muito bem, são bastante sincronizados e durante todo o tempo que utilizei os freios Heiland HB-870, sempre estive verificando o funcionamento deles e nunca um começou a fechar antes que o outro.

Montar a pinça e alinhar foi a tarefa mais fácil. Apenas instalei, apertei o freio, e apertei os parafusos de fixação da pinça. Só isso. Não precisei de nenhum alinhamento complementar ou ajuste fino. Pronto para pedalar!

As pastilhas

As pastilhas do freio Heiland HB-870 são as conhecidas como “chaleirinha”.
Isso possibilita que você use outras pastilhas desse modelo fabricadas por outras marcas. Existe também opções semi-metálicas e metálicas. Você pode usar com rotores especiais e que serão uma grande vantagem quando o roteiro tiver muita lama, ou a competição acontecer após uma longa noite de muita chuva.

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O teste

Não sou muito cuidadoso nas descidas, não fico poupando equipamento. Apenas seguro firme nas manoplas e deixo os braços soltos, o resto a bike que se vire.
Não desço segurando os freios e controlando a velocidade. Apenas deixo a gravidade agir e quando é preciso freiar, espero até o último segundo e junto nos freios pra valer.

Durante as pedaladas e as descidas maiores ou mais rápidas, pensava comigo mesmo: agora faço esse treco abrir o bico, quer ver?
Então forçava os freios, juntava com vontade mesmo. Uma, duas, três, quatro curvas… Cinco, seis.. mais velocidade e outra curva, e nenhum sinal do freio começar a amolecer ou endurecer. Ok, acabou a descida. Na próxima tento outra vez.

Outros freios

Usei vários freios Shimano, os últimos foram uma junção que fiz com peças que estavam na oficina: par de manetes Zee, par de pinças Deore M615 e mangueiras XTR.
Esse sim pensei que fosse um freio difícil de fazer falhar. Mas senti os manetes de freio amolecerem no dia que fiz este video, descendo para São Francisco Xavier, no Trip Bike (de verão) 2015.

Antes da última descida, em asfalto e muito rápida, senti os manetes ficarem um pouco duros. Esperei alguns segundos para ver se esfriariam para eu ter um pouco de freio na última reta.

Voltaram a funcionar e então ataquei a última descida que termina em uma ponte com uma rua perpendicular no final.
Na ponte, quando precisei dos freios para não passar reto e entrar na casa em frente, os freios falharam. Um último suspiro dos freios e conseguiu segurar a bike e me deixou em uma velocidade segura pra fazer a curva. Foi uns 3 ou 4 minutos para os freios voltarem a funcionar corretamente.

Houve outro Trip Bike (agora de inverno) e a saída foi em outro local, mas a grande maioria do percurso e também a temida subida da casinha e as descidas do roncador e a de asfalto, permaneceram no roteiro.

De última hora

Decidi ir nesse pedal dias antes da data divulgada, e pensei em instalar os próximos freios que testarei, os SRAM DB-5. Mas, pensei mais um pouco e imaginei que seria uma ótima oportunidade de tentar falhar o freio Heiland HB-870. A meta era descobrir até onde ele aguentaria.

Dias antes, o dono da empresa que importa os freios ligou para mim para saber como estavam indo as coisas. Disse que seria o teste final, e se eu chegasse vivo no final da descida, contaria como foi o último teste. 😛

Um detalhe interessante

Uma coisa que gostei muito desse freio, é que dá a impressão que ele tem uma espécie de ABS. Ele não tem nenhuma modulação, a ação é dura, encostaram as pastilhas, o manete não sede mais. Zero modulação, mesmo!

Mas, mesmo se você descer a mão no freio, ele só vai travar a roda acidentalmente se você estiver mal posicionado na bicicleta, ou deixando uma das rodas leve demais.

Nas descidas, eu deixo a velocidade aumentar, e seguro até o último segundo para freiar forte antes da curva e entrar nela com uma velocidade segura o bastante para não escapar de lado. E nessa freiada forte, eu jogo o peso para trás e junto nos freios. Com os Heiland Hb-870, em momento algum senti que a roda quis escapar por ter travado. Mas também não faltou nenhuma potência para segurar as rodas. Era sempre muito legal! Parecia um ABS!

Nesta última edição do Trip Bike (inverno), desci mais rápido que antes. A noite até descobri que no Strava fiquei em 4º lugar na Descida do Cotovelo, e em 10º na Descida do Roncador, de um total de 665 pilotos. Hoje não sei se ainda estou nesta posição, mas também não ligo muito para esse negócio de competir virtualmente.

Bom, e o que aconteceu no final da descida?

Os freios estavam perfeito! Forcei muito, para valer, e não falharam em nenhum momento. Nos últimos metros ainda tentei dar uma “juntada de misericórdia” nos freios, mas seguraram o tranco.
Os manetes funcionavam sem nenhum problema, o óleo estava perfeito em ambos. Não endureceu, não amoleceu.
Mas nessa última juntada nos freios, vitrifiquei as pastilhas por causa da temperatura que os freios geraram. Os meus rotores XT ficaram com a banda de frenagem pretos! E as hastes coloridas… Na minha opinião, os rotores ficaram lindos daquele jeito. Por mim, poderiam nunca mais voltarem ao normal.

O preço:

Não posso dizer o preço exato dos freios Heiland HB-870, pois é um detalhe que muda a cada loja, seja física ou online, mas hoje (17/07/2015) acredito que o preço gira em torno de R$350,00.
O que digo é que os Heiland HB-870 são mais baratos que os freios de mesmo nível dos concorrentes. E isso já é uma grande vantagem.

Resumindo:

Os freios Heiland HB-870 estão mais do que aprovados. São ótimos!
A manutenção é fácil, baixo custo, e você não precisa de pastilhas exclusivas. Você poderá então testar outras marcas de pastilhas e descobrir uma que talvez até funcione melhor que as originais.
Outra vantagem é que os freios Heiland HB-870 são mais baratos que os concorrentes de mesmo nível. E isso é um fator que faz muita diferença nos dias de hoje, quando somos “assaltados” ao comprar alguma peça para nossas bikes.

Notas (de 1 a 5)

Conforto: 4
Manutenção: 5
Visual: 4
Segurança: 4,5
Ajustes: 4
Instalação: 5

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Fabio S.

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Fabio Santos
Graduado em Comunicação Social & Marketing, mecânico de bicicletas, curioso, perfeccionista e muito chato. Desenvolvedor de produtos para o mercado de bicicletas, amante das bicicletas e toda a mecânica e tecnologia que envolve essas maravilhosas máquinas. Fundador da Revista BikeUP e do BikeBlog.