Eterno debate: O comprimento do pedivela realmente importa?

O pedivela é responsável por fazer a ponte entre a força que geramos com as pernas e o sistema de transmissão da bicicleta. O que poderia (e deveria) ser algo simples na verdade pode ser o ponto crucial entre conforto ou perfomance.

// Os comprimentos

São 3 os comprimentos mais usados: 170mm, 172.5mm e 175mm.
Para o ciclista que utiliza a bicicleta apenas para transporte, uma mudança no comprimento do pedivela pode ser imperceptível. Mas para atletas, uma mudança de 2,5mm se torna um pequeno (ou mesmo grande) problema.


Há outras medidas que podem ser fabricadas por encomenda. Por exemplo: dependendo da demanda, a Shimano pode fabricar desde 155mm até 187,5mm, se não me engano. Mas também há pedivelas de 140mm para casos extremos. No lado oposto, a Zinn Cycles pode fabricar sob encomenda pedivelas com braços de 220mm! (imagem acima)

// Teoria Proporcional

Baseando-se em matemática e trigonometria, há uma regra de proporção que é largamente utilizada na hora de escolher o comprimento do pedivela, o qual deve-se obedecer o comprimento das pernas. Dificilmente alguém terá as pernas exatamente com o mesmo comprimento, isso é normal. Além do fato que existe um mar de par de pernas pedalando por aí. Então, porquê existem tão poucas opções em tamanhos de pedivelas?

// Efeito Adaptativo

Zilhões de ciclistas ao redor do mundo utilizam pedivelas incompatíveis com sua biomecânica, mas o próprio corpo acaba se acostumando com eles. No começo sentimos que algo está fora do contexto, e até pequenas dores ou desconfortos podem aparecer. Mas, se a pedalada é sempre ritmo passeio, o ciclista acaba se acostumando com o pedivela um pouco acima da medida ideal.

// Efeito Cascada no Bike Fit

O primeiro ajuste que fazemos em uma sessão de Bike Fit é o ajuste dos tacos na sapatilha. Depois, o selim é ajustado a partir da posição dos pés apoiados nos pedais. Em seguida vem o ajuste da posição do guidão. Então já podemos perceber quão importante é o comprimento dos pedivelas. Se o ciclista quer um Bike Fit 100% correto e preciso, antes de soltar um parafuso de ajuste sequer, é necessário confirmar se o comprimento do pedivela está correto para a biomecânica do ciclista.

// Braços Longos

Basicamente favorecem a utilização de uma cadência mais baixa e a transferência de energia para a roda traseira na base da força. Pedivelas com braços mais longos criam uma alavanca maior e facilita escaladas onde mudanças na cadência é constante, por conta de transposição de obstáculos, por exemplo.

// Braços Curtos

Pedivelas com braços mais curtos favorecem as cadências mais altas. Como os braços são mais curtos, a circunferência da pedala é menor, o que facilita a pedalada mais rápida em marchas mais leves. Veja por exemplo, ciclistas escaladores de estaturas médias-baixas. Sempre escalam em uma cadência mais alta e constante.

// Qual comprimento devo usar?

Se você tem problemas para achar uma posição aerodinâmica durante a pedalada, ou que não consegue elevar e manter uma cadência mais alta, até mesmo dificuldade em respirar em alguma posição específica em cima da bicicleta, é melhor dar um passo atrás e rever seu pedivela. Sempre será aconselhável a consulta com um profissional em Bike Fit. E deixo uma dica extra para você: dê preferência à um Bike Fitter que tenha formação em Fisioterapia. Todos os ajustes serão baseados no seu histórico de lesões, fraturas ou outros problemas passados, e não apenas nas suas medidas biomecânicas atuais. Para saber mais sobre isso, leia a matéria deste link.

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Fabio Santos
Graduado em Comunicação Social & Marketing, mecânico de bicicletas, curioso, perfeccionista e muito chato. Desenvolvedor de produtos para o mercado de bicicletas, amante das bicicletas e toda a mecânica e tecnologia que envolve essas maravilhosas máquinas. Fundador da Revista BikeUP e do BikeBlog.