Bike Brasil 2018 // Decepcionante, em quase tudo

O Festival Bike Brasil 2018 foi novamente um fiasco. Antes chamada de Brasil Cycle Fair, entre 2017 e 2018 a marca foi comprada da Aliança Bike pela NürnbergMesse Brasil, com a promessa de elevar o evento nos anos seguintes. Bem que tentaram, mas…

// Prejuízos e alguns acertos

Analisando o lado do espaço para negócios, conversando com vendedores, gerentes e até donos de marcas e empresas, percebi que o tiro nos pés foram certeiros. Sorte dos que conseguiram zerar o investimento no evento com as vendas feitas.

Em menos de 10 minutos você podia passar em todos os corredores e ver todos os stands, isso em um ritmo bem tranquilo e em passos curtos.

O lado de fora só mostrava agitação por causa dos atletas do flatland e vertical que conseguiam aquecer os ânimos de quem gastou tempo e dinheiro para dar um rolê por lá. Ridículas regras de horários também foram impostas.

Lojistas credenciados, só podiam entrar na área externa das tendas e atividades até as 15h00. Depois disso, só pagando para entrar novamente. Este é 0,1% dos motivos que a Shimano Fest está engolindo a Cycle Fair/Bike Brasil: a entrada é grátis, 0800, free, na faixa! O dia todo! A galera vai em peso!

// Gary Fischer que nada. Sou mais Mr. Scott!

Enquanto uns gatos pingados tentavam uma selfie com o Mr. Gary Fisher para depois postar nas redes sociais afirmando que estavam com o pai do MTB, (mentiram para você, bobão!), eu garimpava um bom motivo para ter gasto meu domingo lá.

Ainda tentando me recuperar de umas besteiras que ouvi de um vendedor de uma empresa de MG sobre os câmbios chineses e “malacabados” de 12v que comercializam, iniciei a peregrinação de 10 minutos para ver tudo.

Depois da olhada geral e da decepção, parei para uma bate papo com meu parceirão Washington Siqueira, vendedor interno da ProParts. Moléque bacana demais, boas risadas e ricas informações! De quebra vi de longe o “S” da SRAM, Mr. Scott. Scott, Ray, e Sam. Sacou? 😉

// MTB Vintage fazia valer a área externa

As MTB Vintage expostas em uma grande tenda na área externa fazia valer o passeio lá fora. Bikes verdadeiras, com almas, com histórias de glórias, de um tempo quando o MTB realmente era mágico, brilhante e interessante.

Klein, GT, Tomac, Mountain Cycle, e nacionais como JNA e Alfameq faziam os olhos saltarem da cara.

Eu sempre gastarei um tempinho onde estas bikes estiverem. Sensações maravilhosas retornam ao coração e mente e isso é necessário de tempos em tempos para nos sentirmos novamente parte de algo que só nós entendemos.

Dentro da área externa, também acontecia testes de bikes, mais exposições e a etapa São Paulo da CIMTB. Os melhores dos melhores estavam lá, e mesmo sendo a final da Elite XCO, não via muita empolgação por parte dos visitantes.

// Fechando…

Bom, minha opinião é: quem não foi, não perdeu nada.

Mas, ano que vem voltarei a visitar o evento. Nós que trabalhamos no ramo destas maravilhosas máquinas de duas rodas com propulsão humana, temos dever de torcer para que tudo continue indo na direção da prosperidade.

Torço para que novas ideias e estratégias sejam aplicadas para o Bike Brasil não ir para o buraco. Talvez alterar a data, deixando mais longe da Shimano Fest, com uma janela de tempo interessante para que as empresas tomem impulso e possam investir em mais de uma feira por ano. Talvez apostar em um preço menor no m2 de exposição, ou mesmo algo que ainda não seja possível pensar no momento.

Seguimos em frente, embalados. Se pararmos de pedalar, cairemos de lado.

Valeu! Té! 😉

Mais algumas imagens:

Fabio Santos
Graduado em Comunicação Social & Marketing, mecânico de bicicletas, curioso, perfeccionista e muito chato. Desenvolvedor de produtos para o mercado de bicicletas, amante das bicicletas e toda a mecânica e tecnologia que envolve essas maravilhosas máquinas. Fundador da Revista BikeUP e do Gravel.one.